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Modismo e auto-estima


Muitos atribuem o fenômeno do modismo às necessidades de auto-afirmação da adolescência. Basta procurar e serão inúmeras as ocorrências de fotos de pessoas com arte corporal suficiente para afetar a alma. A coisa não pára por ai: além disso, o mercado explora esta necessidade de auto-afirmação bombardeando o universo juvenil com roupas, acessórios, pontos de encontro e equipamentos de valor exorbitante (tanto no sentido monetário quanto no simbólico; santo merchandising). Nunca foi tão caro manter um indivíduo em formação.
Essas informações são achadas a rodo e nem é preciso ter um olhar clínico para concluir que o limite esta a léguas. Contudo, meu ponto não é esse. Ao que vejo, todos nós fomos afetados, uma vez que o processo de ¨etiquetação¨ tem início na vida intra-uterina. Não? Pense de novo: Johnson, Chicco, Geovana Baby, Lilica ... passaria dias citando!
Desta forma, questiono que tipo de sujeito estamos formando e em que tipo de sujeito nos tornamos, fazendo de etiquetas e valores $$$ a nossa identidade. Parece que hoje em dia tudo o que somos é valor monetário e a garantia de lucro de multinacionais.
Na boa, sou publicitária, e o pensamento que estou colocando neste espaço é totalmente anti-publicidade. Categoria, me perdoe, de verdade. Mas percebo em meus pacientes em terapia, um vazio que é assustador. Parecem vazios quando sonham consumir, adquirem o que desejam e ficam aindammais cedentos de consumo. Como publicitários, sabemos que a idéia é essa mesma: consumir mais e mais. Contudo, no sentido humano, o que vejo é apenas tristeza e uma falsa qualidade de vida. Quanto mais se tem, menos se é !
Em relação a arte corporal, cada vez mais presente, embora seja algo de raiz milenar, o que me preocupa é a deturpação do símbolo. Não sou contra tatuagem ou piercings. Afinal, expressão é expressão e em seu âmago, este tipo de prática nos conta a importância de marcar o corpo para perceber a si mesmo. Contudo, hoje se tatua por motivos tão superficiais, exibicionismo e com simbolismo duvidoso. Não é a toa que muita gente sente a necessidade de retirar a tatuagem depois.
Creio que ao fazer uma tatuagem, independente da idade, devemos ter em mente que aquele desenho e o rito no qual ele foi criado, que envolve sangue e dor em uma auto-agressão, deve ser preservado e ilustrar e eternizar de forma simbólica algo que nos é importante. Caso contrário, vejo este mesmo gesto como um momento de mutilação e imaturidade.
Desta forma, deixo para reflexão a mensagem da simplicidade e criatividade. Compre aquilo que mostre sua essencia e não apenas seu poder de compra, tatue somente quando for necessário, consuma somente aquilo que você deseja conter. Prime pelo EU e não pelo outro e seja feliz sendo vc mesmo, se auto-afirmando, auto-valorizando, auto-cuidando, auto-mantendo, auto-amando.